Domingo, Junho 20, 2004
Vergonha
Sinto vergonha de ser assim... ando bem semanas inteiras (quem me viu nos Santos nem poderia imaginar que uma semana depois iria estar assim) para de um momento para o outro estar profundamente afectado.
Maldita criança que não cresce nem morre... se não queres crescer ao menos que desapareças, que te vás embora e me deixes em paz.
Triste bébé chorão, que chateia que o ama e que não tem remédio... amigos, amo-vos tanto de uma maneira tão profunda e sincera que não sei como vos explicar ou transmitir, só peço que tenham paciência (até isso tem limites eu sei), mais cedo ou mais tarde darei-vos algo com que vos possam orgulhar de mim.
Maldita criança que não cresce nem morre... se não queres crescer ao menos que desapareças, que te vás embora e me deixes em paz.
Triste bébé chorão, que chateia que o ama e que não tem remédio... amigos, amo-vos tanto de uma maneira tão profunda e sincera que não sei como vos explicar ou transmitir, só peço que tenham paciência (até isso tem limites eu sei), mais cedo ou mais tarde darei-vos algo com que vos possam orgulhar de mim.
Desabafos
Não consigo resistir à tentação de voltar a cair no buraco... às vezes é desesperante estar sempre assim, parece que me chama e como inocente insecto nocturno sou atraído pela luz das trevas.
Levo-me ao desespero, levo quem me rodeia a entrar em parafuso, às vezes penso que sou mais uma cruz que uma benção. Só sinto vontade de pôr a mochila às costas e zarpar, desaparecer, dar uma de hobo e meter-me no primeiro comboio de mercadorias para lugar algum.
De vez em quando lá surge a ideia do suícidio, só que a minha boca é grande e não está devidamente conectada ao cerebro e por isso partilhei estes sentimentos mórbidos e só para piorar aquilo que já é mau. Nem para estar calado presto, já que intensificou a minha angústia porque agora sinto a angústia de quem me ouviu.
Desculpa a quem gosta de mim por estar a deixar-vos com mais este presente envenenado mas às vezes sinto que vou estoirar... ontem estava bem, hoje à tarde entrei em completa paranóia, não aguento, não aguento este ser desenquadrado, disfuncional, que só se sente livre estando completamente embriagado mas que sabe que para ser-se social não é preciso estar bêbado... porque é tão fácil rastejar para dentro da garrafa mas o problema está em sair de dentro dela. Pedir ajuda cá em casa está fora de questão por ser inútil (são fitas, és preguiçoso dizem eles), estar a pressionar quem me rodeia deixa-me ainda pior porque cada um tem a sua cruz, não posso pedir ajuda a carregar com a minha.
Mas se me ponho a pensar nos meus problemas vejo que são problemas de merda, penso mais a sério e imagino que quem vive na miséria pessoal, no mais profundo desespero, me visse a entrar em parafuso com estas merdices se ria de mim e me dizia para ter juízo ou então para arranjar problemas a sério.
Preciso de ajuda mas às vezes penso se valerá a pena deixarem-me ajudar porque sinto que vou acabar por repetir os mesmos erros.
Levo-me ao desespero, levo quem me rodeia a entrar em parafuso, às vezes penso que sou mais uma cruz que uma benção. Só sinto vontade de pôr a mochila às costas e zarpar, desaparecer, dar uma de hobo e meter-me no primeiro comboio de mercadorias para lugar algum.
De vez em quando lá surge a ideia do suícidio, só que a minha boca é grande e não está devidamente conectada ao cerebro e por isso partilhei estes sentimentos mórbidos e só para piorar aquilo que já é mau. Nem para estar calado presto, já que intensificou a minha angústia porque agora sinto a angústia de quem me ouviu.
Desculpa a quem gosta de mim por estar a deixar-vos com mais este presente envenenado mas às vezes sinto que vou estoirar... ontem estava bem, hoje à tarde entrei em completa paranóia, não aguento, não aguento este ser desenquadrado, disfuncional, que só se sente livre estando completamente embriagado mas que sabe que para ser-se social não é preciso estar bêbado... porque é tão fácil rastejar para dentro da garrafa mas o problema está em sair de dentro dela. Pedir ajuda cá em casa está fora de questão por ser inútil (são fitas, és preguiçoso dizem eles), estar a pressionar quem me rodeia deixa-me ainda pior porque cada um tem a sua cruz, não posso pedir ajuda a carregar com a minha.
Mas se me ponho a pensar nos meus problemas vejo que são problemas de merda, penso mais a sério e imagino que quem vive na miséria pessoal, no mais profundo desespero, me visse a entrar em parafuso com estas merdices se ria de mim e me dizia para ter juízo ou então para arranjar problemas a sério.
Preciso de ajuda mas às vezes penso se valerá a pena deixarem-me ajudar porque sinto que vou acabar por repetir os mesmos erros.
Domingo, Maio 02, 2004
O último beijo
Consigo senti-la a aproximar-se, o anjo de negro, que traz debaixo do seu manto a libertação, a redenção, o extâse. Sei que a sua presença é um sinal de morte eminente mas a luminosidade que emana, quente e acolhedora como a alvorada sossega o espirito.
Grito, mas nada sai, os lábios movem-se, a garganta permanece imóvel, o corpo agarra-se à vida porém a alma resignou-se.
Passa-me a mão pela cara, pelo peito, sussura palavras meigas, palavras cortantes como o aço de uma espada. Vem comigo, diz ela, dá-me a mão e partamos para o Paraíso, abraça-me e a tua alma ficará livre daquilo que a atormenta. Anda, caminha comigo em direcção ao vazio.
Não me desejas? Sou quem procuraste toda a vida, diz ela, enquanto se aproxima cada vez mais. Afasto o seu manto negro e descubro por debaixo daquele pesado pedaço de pano bafiento e surrado um corpo sensual, feminino, frágil como uma rosa mas ardente como uma fornalha.
Todos me imaginam esquelética e horrível, mas vê, nada tens a temer de mim.
Abraça-me, una-mos os nossos espiritos, funda-mos os nossos espiritos num só, a libertação está próxima e tudo farei para a tornar em algo belo.
Uma fúria carnal apodera-se de mim, solto um beijo furioso, mas angustiado, enquanto mãos ávidas percorrem o seu corpo, desejosas de lhe descobrir todos os segredos.
Grito, mas nada sai, os lábios movem-se, a garganta permanece imóvel, o corpo agarra-se à vida porém a alma resignou-se.
Passa-me a mão pela cara, pelo peito, sussura palavras meigas, palavras cortantes como o aço de uma espada. Vem comigo, diz ela, dá-me a mão e partamos para o Paraíso, abraça-me e a tua alma ficará livre daquilo que a atormenta. Anda, caminha comigo em direcção ao vazio.
Não me desejas? Sou quem procuraste toda a vida, diz ela, enquanto se aproxima cada vez mais. Afasto o seu manto negro e descubro por debaixo daquele pesado pedaço de pano bafiento e surrado um corpo sensual, feminino, frágil como uma rosa mas ardente como uma fornalha.
Todos me imaginam esquelética e horrível, mas vê, nada tens a temer de mim.
Abraça-me, una-mos os nossos espiritos, funda-mos os nossos espiritos num só, a libertação está próxima e tudo farei para a tornar em algo belo.
Uma fúria carnal apodera-se de mim, solto um beijo furioso, mas angustiado, enquanto mãos ávidas percorrem o seu corpo, desejosas de lhe descobrir todos os segredos.
Poemas soltos
Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis
Bertold Brecht
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis
Bertold Brecht
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.
David Mourão-Ferreira
Gritos de dor ecoam na noite
Maldição esta minha vida, transformou-se numa cruz que me atormenta o corpo e o espirito, de que me serve viver se não vivo?
Arrasto esta minha carcaça pelas ruas, não consigo estar ao pé dos outros sem me sentir mal, sem deixar de sentir este amargo de boca por não estar a sentir a sua alegria ou a sua tristeza. Não sinto nada, apenas a uma vontade incrivel de gritar a plenos pulmões, de me esbofetear, de cortar a carne até sentir o quente do sangue a percorrer-me a pele.
Que é este que grita por dentro? Não sabe, não quer saber e não quer que os outros lhe digam quem é. Se olhar para o fundo do meu ser já sei que o vou odiar, só me apetece esmurra-lo até deixa-lo sentidos, esventra-lo para que talvez lhe consiga arrancar alguma sensação que não seja a mais pura e abjecta das apatias.
Arrasto esta minha carcaça pelas ruas, não consigo estar ao pé dos outros sem me sentir mal, sem deixar de sentir este amargo de boca por não estar a sentir a sua alegria ou a sua tristeza. Não sinto nada, apenas a uma vontade incrivel de gritar a plenos pulmões, de me esbofetear, de cortar a carne até sentir o quente do sangue a percorrer-me a pele.
Que é este que grita por dentro? Não sabe, não quer saber e não quer que os outros lhe digam quem é. Se olhar para o fundo do meu ser já sei que o vou odiar, só me apetece esmurra-lo até deixa-lo sentidos, esventra-lo para que talvez lhe consiga arrancar alguma sensação que não seja a mais pura e abjecta das apatias.
Domingo, Abril 18, 2004
Regresso
Cá estou eu de novo, escrevo depois de um silêncio de cerca de um mês.
Não me retirei porque não sabia o que escrever, não tive nenhum bloqueio, simplesmente não me apetecia, estava totalmente dominado por uma apatia que me corroi até aos ossos, uma inacção, uma falta de vontade de tudo e mais alguma coisa: falta-me a ambição de vencer, de lutar todos os dias por melhorar a minha vida, de tentar deixar a minha marca numa sociedade que reconhece o valor dos fortes e esqueçe todos os que não têm vontade de suceder... que frustração.
Enfim: melhores dias virão, pois temo pela minha sanidade caso não apareçam.
Não me retirei porque não sabia o que escrever, não tive nenhum bloqueio, simplesmente não me apetecia, estava totalmente dominado por uma apatia que me corroi até aos ossos, uma inacção, uma falta de vontade de tudo e mais alguma coisa: falta-me a ambição de vencer, de lutar todos os dias por melhorar a minha vida, de tentar deixar a minha marca numa sociedade que reconhece o valor dos fortes e esqueçe todos os que não têm vontade de suceder... que frustração.
Enfim: melhores dias virão, pois temo pela minha sanidade caso não apareçam.
Voltei
Terça-feira, Março 02, 2004
Algumas Reflexões Sobre a Mulher
Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.
Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.
Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.
Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.
Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.
O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.
Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.
Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.
É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.
São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.
Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.
Eugénio de Andrade
Como são verdadeiras as palavras do Eugénio
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.
Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.
Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.
Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.
Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.
O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.
Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.
Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.
É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.
São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.
Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.
Eugénio de Andrade
Como são verdadeiras as palavras do Eugénio
Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
Noite...
Instântaneo de Luis Fernandes - Deixem os vossos comentários
Ó noite,
coalhada nas formas de um corpo de mulher
vago e belo e voluptuoso
num bailado erótico, com o cenário dos astros, mudos e quedos.
Estrelas que as suas mãos afagam e a boca repele,
deixai que os caminhos da noite,
cegos e rectos como o destino,
suspensos como uma nuvem,
sejam os caminhos dos poetas
que lhes decoraram o nome.
Ó noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher!
esconde a vida no seio de uma estrela
e fá-la pairar, assim mágica e irreal,
para que a olhemos como uma lua sonâmbula.
Fernando Namora
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
Carta
Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...
Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verão
nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
e tudo o que vejo...
É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é feita de papel
Nela te pinto nua
numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...
Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso do teu gesto mimado
e à palma da tua mão...
É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
e a minha bola de cristal é feita de papel
Nela te pinto nua
Numa chama minha e tua.
Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...
...nela te pinto nua
Numa chama minha e tua.
Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.
Toranja
Sublime, são bandas como os Toranja que evitam que o panorama musical português caia no marasmo da música pimba e popularucha.
Surpreenderam-me pela positiva, são raras as bandas capazes de no espaço de parcos minutos expressarem toda aquela miriade de sentimentos que nos acompanha durante a vida e que muitas vezes deixamos escapar porque simplesmente não estamos atentos à sua presença.
Kitty, esta é para ti.
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...
Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verão
nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
e tudo o que vejo...
É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é feita de papel
Nela te pinto nua
numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...
Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso do teu gesto mimado
e à palma da tua mão...
É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
e a minha bola de cristal é feita de papel
Nela te pinto nua
Numa chama minha e tua.
Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...
...nela te pinto nua
Numa chama minha e tua.
Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.
Toranja
Sublime, são bandas como os Toranja que evitam que o panorama musical português caia no marasmo da música pimba e popularucha.
Surpreenderam-me pela positiva, são raras as bandas capazes de no espaço de parcos minutos expressarem toda aquela miriade de sentimentos que nos acompanha durante a vida e que muitas vezes deixamos escapar porque simplesmente não estamos atentos à sua presença.
Kitty, esta é para ti.
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Anti-social
Esta é uma palavra que me pode definir nos últimos tempos... que raio, sentir que não estou a contribuir para uma confraternização e nada mais dizer que poucas palavras (que pouco mais são que a repetição do que está a ser dito). Maldito eu, autêntico pedaço de carne amorfo que teve a sorte de ser bafejado com Vida.
Estou cansado mas isso não devia ser desculpa; se é porque não estou habituado a convivios, rapaz caseiro e de costumes regulamentados pela tutela parental, também não devia ser desculpa... preciso é fazer algo mais concreto.
Pensa, rapaz, pensa... não é preciso ser-se sempre o centro mas estar suficientemente perto do centro para notarem a tua presença.
Bolas, agora que penso sinceramente nisto, compreendo que todo este dilema é devido ao facto de em criança nunca darem importância ao que dizia: "é uma criança, o que sabe ele?". Resultado: agora frustro-me por sentir que não me ouvem.. já largava esta maldita infantilidade e tentava fazer algo próprio, que me possa definir perante os outros.
Está na hora de lapidar, levar à perfeição, a minha única réstia de luz no meio de uma personalidade opaca e cinzenta: continuar a ser o bom ouvinte que sempre fui.
Estou cansado mas isso não devia ser desculpa; se é porque não estou habituado a convivios, rapaz caseiro e de costumes regulamentados pela tutela parental, também não devia ser desculpa... preciso é fazer algo mais concreto.
Pensa, rapaz, pensa... não é preciso ser-se sempre o centro mas estar suficientemente perto do centro para notarem a tua presença.
Bolas, agora que penso sinceramente nisto, compreendo que todo este dilema é devido ao facto de em criança nunca darem importância ao que dizia: "é uma criança, o que sabe ele?". Resultado: agora frustro-me por sentir que não me ouvem.. já largava esta maldita infantilidade e tentava fazer algo próprio, que me possa definir perante os outros.
Está na hora de lapidar, levar à perfeição, a minha única réstia de luz no meio de uma personalidade opaca e cinzenta: continuar a ser o bom ouvinte que sempre fui.
Retorno
Retorno ao blog depois de um silêncio forçado por stress de exames e sindroma pós-traumático de exames.
Esta epoca de exames deixou marca, físicas e emocionais, pois nunca me senti tão cansado e desmoralizado como agora.
Não correu como estava à espera, foi um fiasco total mas dá-me a oportunidade de pensar no que está mal comigo e no que posso fazer para mudar, porque preciso mudar. Não quero continuar a sentir-me como um falhado, como um vencido da vida (não posso designar-me como um pois isso seria insultar o ilustre grupo de escritores portugueses do final do séc. XIX).
Chegou a hora do basta, basta de ser uma batata de sofá, de ser um bronco com pernas, de ser mais um que sente a vida a passar e não faz nada para a aproveitar. Quero ver e sentir coisas que nunca tive coragem de experimentar, deixar de ser preguiçoso e ir ter com a vida, não ficar à espera que a vida venha ter comigo. Quero ser tudo o que sempre sonhei, sentir-me realizado e feliz por estar vivo. Quero chegar a velho e dizer: "Tive uma boa vida e não mudava nada no que fiz e realizei".
Resumindo: estou de volta e para melhor.
Esta epoca de exames deixou marca, físicas e emocionais, pois nunca me senti tão cansado e desmoralizado como agora.
Não correu como estava à espera, foi um fiasco total mas dá-me a oportunidade de pensar no que está mal comigo e no que posso fazer para mudar, porque preciso mudar. Não quero continuar a sentir-me como um falhado, como um vencido da vida (não posso designar-me como um pois isso seria insultar o ilustre grupo de escritores portugueses do final do séc. XIX).
Chegou a hora do basta, basta de ser uma batata de sofá, de ser um bronco com pernas, de ser mais um que sente a vida a passar e não faz nada para a aproveitar. Quero ver e sentir coisas que nunca tive coragem de experimentar, deixar de ser preguiçoso e ir ter com a vida, não ficar à espera que a vida venha ter comigo. Quero ser tudo o que sempre sonhei, sentir-me realizado e feliz por estar vivo. Quero chegar a velho e dizer: "Tive uma boa vida e não mudava nada no que fiz e realizei".
Resumindo: estou de volta e para melhor.
Até já???
O que escrevo não são meras palavras, são sentimentos que sinto já a algum tempo.
Tentei adiar o inadiável, tentei esquecer com a esperança que este sentimento se desvanecesse mas foi em vão, pois ele permanece cá, impávido e sereno.
Então é o seguinte, a minha participação neste blog vai ficar suspensa por algum tempo, não sei por quanto tempo.
Isto deve-se ao facto de o que aqui escrevo não me trazer qualquer tipo de satisfação.
Geralmente, tenho sempre muitas ideias do que posso falar mas quando aqui chego a vontade vai-se e instala-se o desconforto.
Agradeço ao Paulo o convite e lamento não ter conseguido levar o projecto em diante mas acho que este não é o meu lugar.
Procurarei outros pousos, algo que me dê satisfação e me sinta recompensada pelo que faça.
Quando voltar, anunciarei a minha decisão.
Um até já ou então até um dia destes.
Tentei adiar o inadiável, tentei esquecer com a esperança que este sentimento se desvanecesse mas foi em vão, pois ele permanece cá, impávido e sereno.
Então é o seguinte, a minha participação neste blog vai ficar suspensa por algum tempo, não sei por quanto tempo.
Isto deve-se ao facto de o que aqui escrevo não me trazer qualquer tipo de satisfação.
Geralmente, tenho sempre muitas ideias do que posso falar mas quando aqui chego a vontade vai-se e instala-se o desconforto.
Agradeço ao Paulo o convite e lamento não ter conseguido levar o projecto em diante mas acho que este não é o meu lugar.
Procurarei outros pousos, algo que me dê satisfação e me sinta recompensada pelo que faça.
Quando voltar, anunciarei a minha decisão.
Um até já ou então até um dia destes.